[Husky Talks] Como contratar remotamente?

Yuri Danilchenko fala sobre trabalho e contratação remota de DEVs.

Por Yuri Danilchenko

Co-Founder da Latitude 4, empresa 100% remota.
Foi CTO da Escale Digital.

 

Acredito que minha relação com o trabalho remoto seja um tanto peculiar, porque saí da Rússia com 16 anos de idade. Então, já faz quase 20 anos que tenho “relacionamentos remotos”. Claro, falar com família e amigos é diferente de contratar um dev remotamente, mas já é suficiente para ir criando um hábito. Aliás, hábito é o grande segredo: seja presencial ou remoto, você sempre começa preferindo o regime de trabalho com o qual está acostumado.

No meu caso, precisei construir relações remotamente em um tempo em que a qualidade de conexão de internet era péssima. Hoje, com muito mais recursos para se comunicar com pessoas à distância, tenho dificuldade de entender o motivo pelo qual a sociedade ainda prefere se “aglomerar” em grandes centros comerciais, megalópoles com trânsito e custos altos. 

A TRANSIÇÃO PARA O REMOTO

Trabalhei em empresas nos Estados Unidos numa época em que era considerado normal pegar avião duas vezes por semana para encontrar clientes. Era um gasto tolerável. Hoje esse dinheiro provavelmente é investido em outras necessidades – reais, né?

É claro que quando você tem uma empresa que não nasceu remota, superar a inércia e migrar para o trabalho à distância é muito difícil. Na Escale, por exemplo, foi um processo difícil. Fomos dando um passo de cada vez: primeiro, liberamos o home office em alguns dias da semana. Então, começamos a contratar profissionais que trabalhariam remotamente. 

O importante é que os donos da empresa endossem esse movimento, para que essa migração aconteça de uma forma saudável. Pelo que vi no mercado, geralmente é uma decisão top down, mas não no mal sentido da palavra. É uma forma de incentivar uma nova cultura organizacional, pois quando você tem escritórios, você experimenta diferentes sabores de cultura. Num regime remoto, ela fica mais homogênea. 

O PROCESSO DE CONTRATAÇÃO REMOTA DE DEVS

Na Escale, não houve grandes mudanças no processo de contratação quando começamos a executá-la remotamente. Em sua essência, o processo se manteve igual: equilibrando nossa confiança na avaliação com aquilo que é conveniente ao candidato. “Ele pode investir esse tempo?”. 

A primeira etapa era o papo com o RH, culture fit, em que avaliamos cultura e perfil comportamental. Depois, um tech lead aplicava uma avaliação técnica (desafio de código, por exemplo). Se fosse uma posição muito sênior, pedíamos um case também. Já a terceira etapa era falar com o engineering manager e product manager sobre trajetória de carreira, conhecimento de metodologias, gestão de tempo, etc. Por fim, um papo comigo. Ao concluir essa entrevista, eu me reunia com todos os envolvidos na avaliação por 15 minutos para coletar feedbacks de todos e tomar a decisão final.

O MAIOR DESAFIO: 

Para mim, o mais desafiador no processo é compensar a riqueza da comunicação não-verbal, facilmente identificada num papo presencial. “Quando você poderá falar com a gente? Em que momento estará numa sala, tranquila, com boa iluminação?” – eram algumas das perguntas que fazíamos, para melhorar a comunicação nesse momento. Porque, acredite, já aconteceu de eu entrevistar uma pessoa que estava no carro, encostado na marginal, com crianças no banco de trás. 

A MAIOR VANTAGEM: 

Definitivamente, o acesso a outros níveis de talento. Quando você quebra a barreira geográfica, você tem a chance de trabalhar com os melhores profissionais do mundo. 

A Latitude 4: 

Nascemos com um time 100% remoto. Somos em 8, por enquanto, e já tem gente nos EUA, Inglaterra, Brasil e Colômbia. Latitude 4 é uma iniciativa para apoiar fundadores na jornada de levantar capital e escalar sua startup. Liderada pelos principais empreendedores e investidores do Brasil e da América Latina, nós temos conhecimento profundo da região e queremos transformar o ecossistema de startups em LATAM.