Gestão Remota: como migrar para este modelo?

Nosso Husky Talks recebeu Eduarda Freire para falar de seus três anos de gestão remota

Quando falamos em gestão de pessoas, precisamos sempre garantir o controle total do time, certo? Errado. Não necessariamente. As opiniões sobre a gestão remota são um pouco divergentes, mas, no geral, é preciso confiar mais nas pessoas. E de pessoas nossa convidada, Eduarda Freire, entende bem e veio contar sobre a sua experiência com liderança remota.

Convidada do Husky Talks: Eduarda Freire

Especialista em gestão de pessoas pela CiiD Copenhague
4 anos de experiência com trabalho remoto
Consultora, líder de operações de marketing
Foi líder de marca na agência FlagCX
Amante de vinho e um bom papo

“O trabalho remoto foi difícil no começo.”

Dos quase sete anos que a Duda trabalhou na FlagCX, uma das maiores agências de comunicação do mundo, apenas os três primeiros foram num regime presencial. Ou seja: ela viveu a transição para o estilo remoto de trabalho numa época em que não se falava muito disso no Brasil. Havia descrença, despreparo institucional e, obviamente, falta de prática – tanto dela quanto do seu time. “Você tem a sensação de que trabalha muito mais do que trabalhava no escritório, porque seus horários ficam bagunçados e você precisa adaptar a sua rotina” – diz ela. Para Duda, é mais fácil aplicar essa lógica remota em “empresas que nascem com o princípio digital, de desmaterialização, como e-commerces e aplicativos”, mas ela precisou lidar com isso dentro de uma empresa que priorizava encontros físicos, visitas a clientes, etc.

“Darwinismo puro. Mudar não é humano. O ser humano não gosta de mudança.”

A mudança partiu do questionamento “até que ponto faz sentido você priorizar uma gestão presencial em prol de um trabalho?”. Inicialmente, todos os colaboradores foram colocados para trabalhar de home office “temporariamente”, até que um novo escritório ficasse pronto. Quando a reforma finalmente acabou, todos deram de cara com um espaço sem estações de trabalho fixas, que servia apenas para encontros pontuais ou dinâmicas com clientes. O trabalho remoto havia chegado para a Duda e todo o time brasileiro da FlagCX. E as opiniões se dividiram: enquanto alguns não sabiam como aquilo funcionaria, outros idealizavam uma realidade maluca. “Rolou a romantização do home office: vou trabalhar da minha casa, do café de vários lugares” – quando, na verdade, nem sabiam ainda como organizar seu tempo e rotina. “Home office não é só sobre trabalhar a hora que você quer”.

“Ouvi muito meu time para aprender a lidar com a situação.”

Passado o choque, o time começou a se adaptar à nova realidade. A planilha de controle de horários que inicialmente parecia tão necessária, deixou de fazer parte da rotina. Todos começaram a ver o lado positivo da mudança. “Fomos entendendo que a gente perde muito tempo em deslocamento e que o talento não é geolocalizado. Então pudemos otimizar nossa agenda e ainda trabalhar com gente de vários lugares” – diz a marketeira.  

“A vida corporativa em São Paulo, quando pensamos em escritório, não é muito produtiva.” 

Não é de hoje que ouvimos críticas ao trânsito paulistano. Mas por que insistimos tanto em fazer parte dele, quando podemos evitá-lo? Talvez porque as pessoas ainda estão se adaptando às conversas e relações virtuais. “A gente demora para entender que o virtual é real. Seu time está perto, a uma mensagem de distância”

“Foi um processo de transformação…”

A Duda assume que se sentiu privilegiada por poder experimentar o trabalho remoto antes da quarentena. “A pandemia tirou da lógica de trabalho tudo que não era importante. Mas fez isso da noite para o dia. No começo da transição, eu fazia questão de um encontro presencial com meu time, para ouvir o que eles estavam sentindo. Eu anotava suas dores e amores, para ir criando processos. Com a quarentena, as pessoas não puderam fazer isso. Estão aprendendo na marra. É desafiador.” Para isso, ela compartilhou algumas dicas que, pra ela, funcionam bem: 

  • Evite o whatsapp. 

“Ele dá uma pesada. Exige um estado de alerta muito alto. Eu tirei as notificações do meu whatsapp e adivinha? Minha vida segue bem. Nada mudou”.

  • Aproveite pra transformar reuniões em e-mails 


Na verdade, você acaba percebendo que não precisava de tantas reuniões. “A reunião que podia ser um e-mail, no mundo remoto, ela é.”

  • Confie nas pessoas

Enfim, observe. Peça entregas, não horários. “Seja um líder mais próximo, humano. Sof skills são hard skills no mundo remoto. Um líder lidera por influência, não status ou cargo”.

Ping-pong:

Perguntas diretas por respostas diretas

  • Três vantagens do trabalho remoto? 

“Autonomia para desenhar o dia, tempo extra pra fazer coisas e mais economia financeira (principalmente para o empresário”. 

  • Do que sente saudades do regime presencial? 

“É difícil sintetizar, mas acho que sinto falta do acaso. Esbarrar com aquela pessoa quando sai do banheiro ou vai pegar um café.”

     •  Do que não sente saudades? 

“Do deslocamento, do excesso de reuniões e do controle de horários.”

  • Uma dica? 

“Não é um problema até virar um problema. Permita-se. Let it be! Não deixe a ansiedade paralisar você”

Então é isso. Espero que tenha gostado da história dessa maravilhosa convidada e fique de olho nos próximos Husky Talks. 😉 

Sobre a Husky 

Fundada em 2016, a Husky é uma fintech que se encarrega de tarefas burocráticas para que profissionais remotos possam se concentrar em suas carreiras, reunindo serviços integrados de contabilidade, administração financeira e câmbio. Atualmente conta com cerca de 3500 clientes e no seu quarto aniversário já havia movimentado cerca de R$ 200 milhões em sua plataforma. Além disso, foi eleita a melhor startup do Startup Chile em 2017 e da Parallel 18 em 2018. Confira mais informações em husky.io.