Inovação disruptiva: aprenda de uma vez o que é

O termo já está ficando antigo.

Mas por ter se popularizado tanto, muita gente o utiliza de forma equivocada, como um sinônimo de avanço tecnológico.

O principal problema disso, especialmente para empreendedores de startups, nem é usar o termo incorretamente. É não perceber a oportunidade que se abre quando se compreende de fato o que é Inovação Disruptiva.

Afinal, o que é Inovação Disruptiva?

Inovação Disruptiva não é um super avanço, que transforma bons produtos em algo muito melhor.

A definição de Inovação Disruptiva é bastante específica.

Ela transforma um produto historicamente caro e complicado, e que apenas um pequeno grupo de pessoas com bastante dinheiro e bastante skill têm acesso, tornando esse produto muito mais acessível tecnicamente e financeiramente, fazendo com que um grupo muito maior de pessoas tenha acesso a ele. (Clayton Christensen)

Exemplo Número 1

O exemplo clássico é a evolução dos computadores.

A primeira manifestação de tecnologia digital foi o mainframe, que custava vários milhões de dólares, e demandava vários anos de treinamento para poder operá-lo. Isso significa que as maiores empresas e as principais universidades podiam ter apenas uma dessas máquinas. Naquela época, o problema precisava ser levado a um centro de computação, onde especialistas fariam o processamento.

Houve então uma sequência de inovação: do mainframe para o mini, depois ao desktop, ao laptop, chegando aos smartphones, que democratizaram a tecnologia a um ponto em que virtualmente todo o mundo tem acesso a ela.

O Dilema do Inovador

No entanto, os pioneiros da indústria da computação tiveram muitas dificuldades para compreender essas ondas. A maioria dessas inovações foram criadas e dominadas por novas empresas.

A raiz dessa dificuldade é chamada de Dilema do Inovador.

O dilema é que em todas as empresas, todos os dias, todos os anos, os funcionários dessas empresas falam aos seus superiores: “Eu tenho um novo produto!”. Esses produtos são melhores, mais avançados, e podem ser vendidos por preços mais altos aos melhores clientes da empresa.

A Inovação Disruptiva propõe um ataque a novos mercados, alcançando clientes que ainda não estão na base. O produto que vai ser vendido é muito mais barato e simplificado. Tanto que o cliente atual não pode comprar.

Então a escolha que o gestor tem que fazer é:

Devemos fazer melhores produtos, que vão nos dar mais lucro, com foco nos nossos melhores clientes? Ou faremos produtos piores, que nenhum dos nossos clientes comprariam e que iriam arruinar nossas margens de lucro?

E esse é realmente um dilema.

Exemplo Número 2

Um dilema que a General Motors e a Ford enfrentaram quando tiveram que decidir se iriam competir com a Toyota pela faixa de mercado mais baixa, menos lucrativa, ou se iriam fazer melhores SUVs para clientes cada vez mais sofisticados.

A Toyota teve o mesmo problema quando a Hyundai e a Kia, coreanas, ganharam a competição na faixa baixa do mercado (os sub compactos) contra a Toyota. E não foi porque a Toyota dormiu no ponto. Afinal, porque a Toyota investiria na defesa da parte menos lucrativa do seu negócio, tendo o privilégio de competir contra a Mercedes?

Agora, a Cherry está vindo da China fazendo a mesma coisa contra os coreanos.

Ou seja…

É mais fácil gerar uma inovação disruptiva do que trazer um grande diferencial tecnológico. Tire 5 minutinhos do seu tempo para refletir sobre essa frase.

A Inovação Disruptiva introduz produtos bem mais simples e baratos, que democratizam o acesso para um número muito maior de pessoas, de algo que antes era complexo, avançado e caro.

Se você quiser ouvir direto da fonte, aqui está o vídeo (em inglês) super didático com o pai dos termos Inovação Disruptiva e Dilema do Inovador, Clayton Christensen:

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