O que aprendi em uma startup nos últimos 9 meses

Antecipo que isso não é um playbook e muito menos um depoimento apaixonado. É uma forma de compartilhar e sintetizar uma experiência intensa e que pode te ajudar ou incentivar a pensar em como aplicar isso pra sua vida, se fizer sentido.

Para facilitar a compreensão desse texto, vou resumir como cheguei nesse momento. Sou advogado por formação, fui bancário por 5 anos, hoje sou sócio da NDM Advogados há quase outros 5 anos e trabalho desde então ajudando startups na parte jurídica. Entrei na Husky há 9 meses com um objetivo claro de viver esse mundo de startups e tecnologia e literalmente aprender fazendo. Escrevi aqui os principais pontos que notei até agora e que podem te incentivar (ou não).

A ideia aqui é definir em poucos pontos o que passei até agora e traçar um paralelo com o modelo tradicional que eu já vivi com outras experiências profissionais.

Autonomia custa

Na Husky cada um é responsável pelo seu planejamento semanal para atingir as metas trimestrais. Eu sei que isso depende muito da empresa que você faz parte, mas aqui é assim que funciona desde o primeiro dia.

Ótimo? Com certeza. Principalmente quando você tem total conhecimento do que precisa e como as coisas funcionam. Não é meu caso, pelo menos até o momento.

Hoje eu fico responsável em grande parte por garantir que o operacional funcione da melhor forma, evitando surpresas e tratando os casos aleatórios. Além disso, ajudo na parte de compliance e com o financeiro da empresa.

Ah, já peguei algumas metas de marketing e vendas, mas em menor escala até aqui.

Todas essas frentes são atividades que um advogado não aprendia na faculdade há pouco anos atrás, ao menos até onde conheci. Por isso, sentar toda segunda e pensar o que fazer para seguir em frente no começo é bem duro.

Isso exige muita paciência, troca de experiência com o resto da equipe e um modelo de acerto e erro contínuo, valorizando cada semana de trabalho como um manual do que fazer ou não para os próximos planejamentos.

A diferença do tradicional?

Não tem um gerente operacional ou profissional mais experiente da sua área para te falar o que fazer ou como fazer, nem um kanban para um simples checklist de feito/não feito. Você entrega o que se programou ou não e bora pra próxima semana!

Remoto é vida

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No meu caso a empresa é 100% remota. Ninguém do time trabalha em um espaço físico da Husky, então você pode fazer sua parte de qualquer lugar que tenha internet. Eu trabalho muito de casa ou do escritório da NDM mesmo.

De cara isso implica em duas grandes mudanças para quem nunca trabalhou assim:

1. A comunicação deve ser clara, objetiva, contínua e educada (sempre que possível).

As pessoas lêem um texto em diferentes momentos do dia, então é indispensável ter muito carinho com a forma que você escreve.

Além disso, trabalhar remoto exige que você compense isso de alguma forma para estabelecer relacionamentos de confiança. Usamos skype e hangouts como forma de contato semanal com toda a equipe.

2. Remoto precisa de rotina.

Quando você começa a trabalhar remotamente, precisa separar horas específicas para cada coisa deve evitar misturar tarefas como arrumar a casa, fazer compras da semana e descer com o cachorro, do momento de trabalho. Na Husky é mais fácil começar com isso, porque definimos um período fixo em que precisamos estar disponíveis e o restante do seu dia você se organiza numa espécie de focus time ou alone time, defina como preferir.

A diferença do tradicional?

Você não precisa pegar um trânsito do cão pro trabalho, não bate ponto e consegue fazer coisas particulares em horários menos concorridos. Mas precisa ter uma rotina até mais organizada do que quem trabalha em um ambiente empresarial.

Gestão por dados aparentes

A Husky usa o Databox, um app que te permite ver várias informações do negócio de um jeito bem visual e até estimulante.

Os dados são abertos para todo o time, independente da posição/tempo de casa. Entrou pro time, tem acesso.

Além disso, fazemos revisões periódicas em equipe para analisar como a empresa tem caminhado e para onde queremos/devemos ir no curto prazo.

Esse modelo é muito interessante porque:

  1. Ajuda a engajar a equipe que se sente parte das decisões;
  2. Faz mais gente pensar soluções para o sucesso do negócio, além dos fundadores que estão no modelo skin in the game;
  3. E permite corrigir o rumo das coisas mais rápido, sempre que necessário.

A diferença do tradicional?

Geralmente os dados não são abertos para todos da empresa. Você divide essas informações em níveis e, na grande maioria, apresenta apenas os resultados macros, não detalhando os pormenores que levaram aqueles números finais.

Outro ponto bem diferente é a capacidade de influenciar o caminho da empresa a partir dos dados.

É bem comum que empresas tratem os dados como uma informação valiosa para os fundadores/diretores, não fazendo sentido que outros membros da equipe opinem sobre eles. Isso fragiliza a capacidade de resolver problemas da própria empresa, afinal, são 2 ou 3 cabeças pensando ao invés de toda a equipe, que pode ter 8, 80 ou até mais se for uma startup com um recrutamento intenso.

Walk the talk nunca fez tanto sentido

Tem um conceito famoso no universo de negócios que diz que você deve viver aquilo que prega.

Bem, é isso…

Tentei resumir nesses 3 pontos as grandes diferenças que notei até aqui sendo um advogado, profissão tradicional e careta, e agora trabalhando em uma startup. Literalmente tenho passado por tudo que li, e ainda leio, em livros de negócios por aí.

Posso cravar com toda certeza que, se você puder escolher hoje entre trabalhar em uma startup ou cursar um MBA famoso, escolha a primeira opção. Trampar forte 12 meses em uma startup com uma equipe fora da curva vai te preparar muito para o futuro que não conhecemos ainda.

Poderia tomar um tempo aqui falando do papel dos fundadores nessa minha experiência até aqui, mas não vou ficar enchendo a bola dos caras, porque realmente não precisam. Mas ter bons profissionais e boas pessoas junto contigo em uma startup é tão relevante quanto em qualquer outro negócio.

Acho que esse é um ponto que não tem absolutamente NENHUMA diferença do tradicional.

Luiz Eduardo Duarte.
linkedin.com/in/luizduartendm

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